quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

BELÉM 395

Orla de Belém do Pará


Parabéns Santa Maria de Belém!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

176 ANOS DE CABANAGEM

Aquarela de um soldado cabano


"SOLDADOS REBELDES INVADIRAM BELÉM" - Milhares de pessoas, entre homens e mulheres maltrapilhos e em armas, além de homens da Guarda Nacional que deserdaram na última hora, tomaram de assalto a capital da Província do Pará, às 3:15h do dia 07 de Janeiro de 1835, invadindo o Arsenal de Guerra e o Palácio, onde ceifaram o Coronel Joaquim José da Silva Santiago, comandante das armas e Bernardo Lobo de Souza, o Malhado, Presidente da Província do Pará. Às 11h deste mesmo dia, foi empossado como Presidente Provincial, aclamado pela extensa população que ocupava as cercanias do Palácio, o cidadão Félix Antônio Clemente Malcher."


Obviamente, quem lesse esta manchete nos jornais de época, ficaria extremamente atemorizado com as consequências do que fora outrora considerado motim de rebeldes, em espírito de banditismo. Caso a noticia fosse dada mais adiante, talvez se tratasse de alguma disputa sangrenta de poder. Por fim, poderiam talvez considerar o clímax de uma grandiosa Revolução. A Cabanagem, em todos os seus aspectos, recebeu ao longo da história, tais insígnias, nunca tendo sido analisada, até então, sob a ótica científica, como critério para um julgamento justo e imparcial na formação da trajetória histórica de um povo.

A Província do Pará, em 1835, ano em que eclodiu a Cabanagem, estava vivendo crises seríssimas em todos os aspectos, sobretudo no que diz respeito à governabilidade. Não que o povo e as instituições resolvessem deliberadamente opor-se à tudo quanto viesse da autoridade central, mas esta, ao seu modo, distorcia a noção de poder, e abusava do despotismo, infâmias e desmandos, gerando em muitos paraenses a revolta e a necessidade de uma repreensão à altura da ofensa.

Neste âmbito, vários nomes surgiram e, ao lado de suas personalidades, desenharam uma roupagem própria para aquilo que pode ser considerado como um levante popular. Dentre eles, destaco o cônego Batista Campos, que foi o mentor e propulsor da idéia de liberdade, igualdade e justiça, além de estimular o pensamento de nativismo e patriotismo para paraenses e acima de tudo, brasileiros. Em sua visão, a Cabanagem poderia ser um ato de libertação e renovação, onde o povo seria respeitado e atendido em suas mais legitimas reivindicações. Infelizmente, o cônego não viveu para presenciar seu sonho se materializar. Morreu em 31 de Dezembro de 1834, seis dias antes do estopim. De igual modo, considero a figura de Malcher o lado oposto ao defendido por Batista Campos, ainda que a sorte lhe tenha sido mais afável. Este, que emergiu de uma masmorra para ser Presidente Provincial, era rico e socialmente distante da grande massa que materializou o sonho do cônego e os anseios de grande parte da população. O resultado não foi diferente: em menos de 120 dias, Malcher era assassinado pelos seus próprios antigos aliados.

Se voltassemos no tempo e tivessemos a oportunidade de viver este episódio, quem sabe aplaudiríamos Domingos Onça, o tapuio que deflagrou o disparo que ceifou Malhado. Ou então, buscaríamos influenciar à ambos os lados, tanto governo quanto rebeldes, à buscarem a via do diálogo. Neste ponto certamente fracassaríamos, pois era necessário que história do Pará fosse marcada, de forma singular, com a única revolução genuinamente popular de toda a humanidade. Ou ainda, buscar uma alternativa legal e institucionalizada para a realização das mudanças tão esperadas, sem que para isso vidas fossem ceifadas. Ainda assim não lograríamos êxito, pois o impacto de mortes, tiros, pólvora, balas e fumaça foi primordial para a lapidação da consciência do povo, à época.

Hoje, em Janeiro de 2011, mais de um século depois, a Cabanagem virou sinônimo de crime. Não pela revolução, ou motim, como queiram, em si. Mas pela associação à um bairro da moderna, porém antiquada Belém. Todavia, a heróica manifestação popular nos deixou de herança um dos mais preciosos tesouros: a liberdade. Evidentemente que os cabanos não poderiam exprimir, com profundidade sapiencial, os significados etimológicos de Liberdade, porém, entenderiam perfeirtamente do que se tratava, ao saberem que passariam a viver com dignidade, honra e respeito aos seus direitos individuais. Isto, para eles, era o que valia.

Quando presencio a desídia de nossas autoridades em desprezar fatos históricos como este, e principalmente este, tenho a leve impressão que Malhado não morreu, mas ainda assombra aos que se assentam nos Palácios e que urge que novos "Batistas Campos", "Angelins", "Vinagres" e "Nogueiras" renasçam em uma geração pautada na ética, na moralidade, transparência e igualdade.

Viva a Cabanagem e que novas cabanagens aconteçam!

sábado, 11 de dezembro de 2010

Capricho de Landi e o Desprezo de Dudu



Aspecto frontal da Capela Pombo, Belém - PA


Situada bem no centro comercial e histórico de Belém, a Capela do Senhor dos Passos, ou também conhecida como Capela Pombo é uma das mais belas expressões arquitetônico-religiosas de Antônio Landi. Posso assegurar que é um dos mais singelos poemas, em forma de argamassa e barro, e que encontra-se no coração de Belém.

A história nos conta que esta edificação foi patrocinada por Ambrósio Henriques que, ao fixar-se em Belém, ao final do séculi XVIII, resolveu instalá-la em sua residência, para que sua família e escravos pudessem assistir as missas. Ao fim, a capela vem sendo administrada ao longo de várias gerações pela mesma família, Pombo.

Hoje, discreta e quase imperceptível no centro histórico da capital, a Capela Pombo vive dias surreais, de abandono e desídia, não por parte de seu administrador e proprietário, que com absoluta certeza, faria tudo de si para manter viva esta jóia do período clássico da colonização amazônica, mas principalmente por parte do Poder Público, de um modo geral, que vira as costas para este patrimônio.

Meu protesto fundamenta-se na revolta contra a mesquinharia provinciana, que ainda se vê viva e instalada como câncer na classe política do Estado.

Em tempo, estarei postando mais informações sobre a Capela Pombo. Por enquanto, permitam-me apenas admirá-la.


Fotografia e Gravura da Capela Pombo e sua disposição urbana.



quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

RELENDO A HISTÓRIA DO PARÁ


O Theatro da Paz


Se um dia um povo desejar conhecer a si mesmo, deve olhar a trajetória deixada no seu passado. Ela certamente dirá qual melhor caminho a seguir no futuro. Com este pensamento, sinto-me estimulado a proporcionar à todos os interessados, de um modo geral, uma alternativa de entendimento à história paraense, em seus mais diversos períodos, à culminância dos tempos atuais. Não disponho de recursos públicos, pois o que possuo é mais do que o suficiente para iniciar esta verdadeira peregrinação de redescoberta de nossas raízes: A Paixão!

Decidi, portanto, iniciar, nesta data de 08 de Dezembro de 2010, uma revisão de nossos fatos históricos, suas consequências e reflexos hoje em dia ainda existentes. Decidi revisitar cenários dos episódios mais proeminentes de nossa história e posteriormente, aprofundar-me nas tradições locais, não desprezando qualquer informação sequer, com o objetivo central de expor, de maneira clara e inequívoca, o Pará e os paraenses, em sua mais pura e genuína manifestação de vida.

Meu interesse maior é, portanto, proporcionar através deste espaço, uma nova oportunidade aos estudiosos, curiosos ou visitantes, de encontrarem uma nova visão para velhas informações, ou de repente, novas informações para velhos fatos.


Feira do Ver-o-peso, Belém-PA

Posso assegurar que os grandes vilões da história, o que acarreta a deturpação das realidades mais puras, são o orgulho e a vaidade. A história não é uma ciência exata, ou que busque a exatidão. Não se prende à relação "causa - efeito", mas influencia e é influenciada por diversos fatores. Dentre eles, considero, particularmente, a religião, ou o pensamento religioso, ou de modo mais amplo, a fé. Sem um fator de cunho espiritual, não haveria motivação para a formação do pensamento de uma comunidade, bem como da maneira individual de cada membro desta comunidade em observar os fatos ao redor.

Outro fator preponderante são as condições econômicas e sociais. Não me refiro à ricos e pobres de bens materiais, mas às condições de acessibilidade à informações e à pessoas e a capacidade de influenciar e ser influenciado, de acordo com a conveniência do fato, antes deste se constituir histórico. Por fim, algo que considero de peculiar importância, sobretudo no Pará, que é a distância dos grandes centros, principalmente, de Belém. A maior parte das cenas históricas possuíram caracteres semelhantes, que os permite adentrar em um conjunto de fatos de raízes e desdobramentos semelhantes. Todavia, mesmo nestas manifestações, existem aquelas que reservam para si, elementos próprios, particulares, íntimos e individualistas. Em síntese, existe e existiu um elemento integrador, mas mesmo assim, existe e existiu um gene próprio, único e individual.

A Praça Batista Campos, Belém - PA


Nesta busca é que iremos: a identidade própria, pura e genuína. Uma procura profunda e completa, ampla e irrestrita, que nos permitirá conhecermo-nos e ainda melhor, nos ensinar sobre nós mesmos.

Haverá um cronograma de atividades que será publicado neste espaço. Visitas serão programadas e o resultado será publicado aqui.

Digo e afirmo que não procuro fazer disto um ente revelador ou transformador da "verdade absoluta", até porque serão analisados e editados por mim e levados ao conhecimento público. A partir disso já se pode esperar ainda que quase inexistente, mas uma leitura própria e preenchida de uma opinião particular.

Desejo honestamente que seja de bom proveito para todos.

O Real Gabinete Português de Leitura

Detalhe do Interior do Real Gabinete Português de Leitura


O que mais inspira a alma e o espírito é, sem sombra de dúvidas, a sabedoria e o conhecimento. Neste quesito não deveríamos nutrir preconceitos, pois toda a ciência é válida, na seara humana, desde que possa contribuir com o avanço da civilização. Por certo que para adquirí-los, longo e árduo trabalho se necessita, e com absoluta certeza que jamais poderá, em um único ser mortal, condensarem-se por completo. Em nenhuma hipótese o homem possuirá todo o conhecimento do mundo, mas poderá acumular, isto sim, uma gama robusta de informações.

Instalado na cidade do Rio de Janeiro, o Real Gabinete Português de Leitura é, acima de tudo, um verdadeiro monumento à intelectualidade, um oásis para as almas sedentas do saber e verdadeira oficina que proporciona, ao homem, lapidar seu caráter. A iniciativa de lusitanos visionários nas artes e nas ciências frutificou de maneira inimaginável, concluindo-se nisto que podemos identificar como um dos maiores centros aglutinadores de cultura, na América Latina.

Este exemplo poderia ser seguido por vários outros ousados entusiastas. Partiria, tal responsabilidade, dos governos, mas com eles, nem sempre se pode contar...

Recomendo, quando possivel, uma visita pessoal ao Real Gabinete. Acessível também pelo www.realgabinete.com.br

Vale a pena.



sábado, 6 de novembro de 2010

Saudações!

Sejam bem vindos ao meu blog. Neste espaço poderemos trocar idéias e crescer intelectualmente. Será um espaço também para publicar minhas opiniões pessoais a respeito de diversos assuntos passados ou da atualidade e da mesma forma, anunciar aos meus seguidores e/ou visitantes, as nossas publicações literárias.

Por enquanto, estaremos dando continuidade na construção deste espaço. Conto com sua contribuição.

Grande Abraço

Marcos Neemias